segunda-feira, 19 de agosto de 2013

A escrita tem muito que se lhe escreva.


Não leio nem escrevo tanto como devia. Pelo menos como acho que devia. E nessa perspectiva a minha escrita é um pouco como o meu sexo. Cada vez que os faço, penso "Merda, mas porquê que eu não passo a vida a fazer isto, mesmo?!" O que mais tenho escrito são textos soltos, levemente poéticos, sem um fim e muitas vezes nem sequer com um princípio, quando me apetece. Há cerca de um mês participei, juntamente com o Pedro Mexia, numa conversa, em género de tertúlia, levada a cabo sob o mote "Este país não é para poetas" e moderada por Luís Filipe Borges. Obviamente, o Mexia fez a maior parte da despesa apalavrada (calma que lhe pedi autorização para poder tratá-lo assim em frente aos meus amigos - se calhar vezes a mais, dado que antes disso me tinha pedido o mail para me enviar um poema seu de que falámos e a verdade é que nunca mais chegou a dizer o que quer que fosse). A dada altura, falou-se sobre métodos de trabalho e inspiração. Atirei que cada vez me fio menos na inspiração e tento pôr mãos ao trabalho antes que a mesma apareça. Ora, isto é uma meia verdade. Há pouco mais de dois anos arranjei uma sala para trabalhar, quer esteja a gravar/compor para um disco ou não. Vou todos os dias para lá, tentando cumprir um horário muito parecido com o de qualquer outro trabalho normal. E tenho conseguido. Mas quando me sento para trabalhar, faço-o maioritariamente para a composição, gravação, produção e edição de música. Quando escrevo, escrevo para músicas e mesmo assim muitas vezes acabo por utilizar material que tinha guardado. Não sei se esta é uma boa altura para iniciar um blog. Está tudo muito rápido, muito intenso e muito descartável, também. O Davide Pinheiro, amigo almadense jornalista e blogger, ao escrever sobre um concerto de que tinha gostado dizia-o da seguinte forma: “uma ida ao telemóvel durante uma hora é obra”. Uma tirada genial e sintomática dos tempos que correm. Regra geral só apanho o comboio quando este está prestes a parar. A semana passada comecei a usar o Instagram, o que deve querer dizer que este deve estar a dar os últimos passos. Nunca me pareceu boa ideia assumir um blogue porque conhecendo-me bem, sei que à partida não serei o tipo mais assíduo na colocação de textos mas desde que deixei de escrever para o Correio da Manhã que sinto falta de me obrigar a pensar a mim próprio, o mundo e a vida pelo menos uma vez por semana em poucos milhares de caracteres. Já tinha ameaçado começar a escrever um texto por semana na página do Facebook do ALGODÃO, mas como disse um sábio português, “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”, e acho que esta será a via mais indicada para o que me proponho fazer. O nome deste blogue é o nome que sempre quis dar às crónicas do CM, mas nunca houve espaço naquele espaço para isso. Já a fotografia é sacada do Google, pelo menos por enquanto. Até para a semana. Espero eu.


10 comentários:

  1. :-)
    Escreves bem. Mesmo quando não estas inspirado.
    Se não escreveres assiduamente, tens certamente quem te relembre. Eu, por exemplo.
    beijo

    ResponderEliminar
  2. adoro ler-te. já tinha saudades. vou dar-te na cabeça todas as segundas a exigir um texto novo :)

    ResponderEliminar
  3. Gosto muito do nome do blog. Foi uma boa escolha. Sinto o mesmo que tu...sinto vontade de escrever, mas quando essa vontade surge nunca estou no local apropriado ou algo me impede de fazer e depois a inspiração vai-se embora e não volto a escrever o que tanto queria. Talvez por isso goste tanto de ver o que os outros escrevem e compõem. Dizem nas palavras deles aquilo que não tenho tempo de dizer com as minhas:). Por isso aguardo as tuas palavras regulares :) Beijos

    ResponderEliminar
  4. Bem vindo!! Estaremos por aqui à espera dessa palavras que quando chegam trazem sempre algo de bom ! Venha a Inspiração ou não ..:p

    ResponderEliminar
  5. Bem chegado.
    Os bloggers, os que escrevem e os que apenas lêem, não são escravos da regularidade. Sim, claro que gostamos da regularidade das publicações dos bloggs que seguimos, mas os que escrevemos, sabemos que nem sempre é fácil a colocação regular de textos.
    De facto, a velocidade a que se passa a nossa vida e tudo na vida, nem sempre publicamos com a regularidade que gostaríamos, e que às vezes quem nos lê também gostaria.

    Mas uma coisa posso garantir, quem se apaixona e de facto se habitua a esta forma de partilha, para dar e para receber, acaba por continuar sempre, mais ou menos regularmente.

    Bem Hajas por teres decidido vir aqui parar, sem dúvida um dos bloggs para a minha lista de leituras regulares. ;)

    ResponderEliminar
  6. Obrigado, Joana. Obrigado a toda a gente!!!!

    ResponderEliminar
  7. Muito bom Carlos, que continues com inspiração que nós agradecemos!

    ResponderEliminar
  8. A inspiração tem muito que se lhe diga. Normalmente o que me acontece, é que ela aparece sempre quando menos jeito me dá. Normalmente é à noite e acabo quase sempre por ficar sem dormir a pensar nas mil e uma coisas que me estão a chegar à cabeça. (aqui a única coisa que me vale é um bloco de notas bem pertinho de mim para apontar tudo e não me esquecer!)

    Mais tramado ainda, é quando nos pressionam para a possuirmos de modo a sermos criativos. Basicamente é o que sinto na minha área de formação, em que somos avaliados por isso mesmo, no entanto a inspiração no meu ponto de vista não é forçada, o que torna tudo muito mais difícil.

    ResponderEliminar
  9. Leituras de autocarro - Pamuk - Istambul

    ResponderEliminar